O Brasil tem um pipeline de projetos de recuperação energética de resíduos de R$7,4 bilhões (US$1,4bi), disse à BNamericas Yuri Schmitke, presidente-executivo da Abren, que representa o setor.
O montante se refere exclusivamente aos empreendimentos de associados da entidade.
Entre esses casos está a Usina de Recuperação Energética (URE) Barueri, em São Paulo, que entrará em operação comercial em janeiro de 2027 e já está com mais de 70% das obras concluídas. A planta terá capacidade para processar até 870t/d de resíduos, com potência de geração de 20MW.
São também exemplos as UREs Bandeirante e Ecourbis, concessionárias de resíduos sólidos do município de São Paulo, que estão em fase de licenciamento ambiental. Trata-se de duas usinas de 30MW cada, com capacidade de 1.000t/d de resíduos sólidos urbanos (RSU), programadas para iniciar operação em 2029.
“Ao todo, temos, hoje, 410 MW de projetos em andamento, em diferentes cidades do país”, ressaltou Schmitke.
No dia 26 de março, foi inaugurada a primeira usina de biometano do Brasil a partir de dejetos suínos. A H2A Bioenergia implementou, em parceria com a Coopercampos, em Campos Novos, Santa Catarina, uma usina de purificação de biogás por meio de membranas que produz biometano padrão industrial e CO2 biogênico padrão alimentício, com tecnologia da francesa Prodeval.
Foram investidos R$65 milhões na planta, e a empresa tem um pipeline de R$3 bilhões para investir no mesmo modelo de negócios.
Schmitke assinalou que o Brasil produz atualmente 0,67 bilhão de Nm³/ano de biometano, apenas 1,5% de seu potencial, estimado em 44,1 bilhões de Nm³/ano.
Já em relação ao biogás, o país produz 4,7 bilhões de Nm³/ano, somente 5,6% do potencial nacional, que é de 84,6 bilhões de Nm³/ano.
O investimento potencial é de R$320 bilhões nos próximos anos, principalmente tendo em vista a entrada em vigor, em 2026, do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB). Criado pela Lei Combustível do Futuro, o instrumento comprova a origem renovável e a sustentabilidade do biometano injetado na rede, viabilizando a comercialização e a neutralização de emissões de carbono, mesmo sem o consumo físico do biogás.
Segundo Schmitke, o ministério de minas e energia (MME) sinalizou que, se houver demanda, é possível organizar leilões para projetos de recuperação energética de resíduos.
“Se seguir o modelo dos dois leilões que já foram realizados para recuperação energética de resíduos sólidos urbanos (RSU), com preço teto dedicado, temos confiança que teremos mais investimentos nessa tecnologia”, disse o presidente da Abren.
Ele estima que o preço de R$550,00/MWh seja adequado e atenda ao padrão médio de mercado para a fonte, que conta com até 93% de fator de capacidade e 8.500 horas/ano de operação ininterrupta, com uma semana de parada para manutenção programada.
“Isso garante estabilidade e confiabilidade ao sistema elétrico”, destacou Schmitke.

