Proposta apresentada pela associação destaca o potencial da tecnologia para reduzir emissões de metano, gerar energia e contribuir para as metas climáticas brasileiras.
A Associação Brasileira de Energia de Resíduos (ABREN) apresentou ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) uma proposta para incluir a recuperação energética de resíduos entre as medidas previstas no Plano de Ação Nacional de Ar Limpo e Clima.
A contribuição, apresentada durante consulta pública, chama atenção para a ausência dessa tecnologia no plano, apesar de seu reconhecimento na Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e no Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares).
Segundo estimativas preliminares da ABREN, o cumprimento da meta de 994 MW de capacidade instalada em usinas de recuperação energética até 2040 poderia evitar a emissão de aproximadamente 290 mil toneladas de metano por ano, além de permitir a geração de cerca de 8 TWh de energia elétrica anualmente.
Em termos climáticos, esse potencial corresponde a aproximadamente 8 milhões de toneladas de CO₂ equivalente evitadas por ano, podendo alcançar 23 milhões de toneladas quando considerado o maior impacto do metano no horizonte de 20 anos.
Recuperação energética como estratégia de combate ao metano
A proposta da ABREN destaca a importância de adotar tecnologias capazes de evitar a formação do metano, e não apenas capturá-lo após sua geração.
Nas usinas modernas de recuperação energética, a fração residual dos resíduos sólidos urbanos é submetida a tratamento térmico controlado, permitindo o aproveitamento energético de materiais que, de outra forma, poderiam ser encaminhados a aterros sanitários.
A associação defende que essa solução seja integrada às políticas de redução da geração de resíduos, coleta seletiva, reciclagem, compostagem e biodigestão, respeitando a complementaridade entre as diferentes rotas de tratamento.
Para Yuri Schmitke, presidente executivo da ABREN, é fundamental reconhecer que, mesmo com avanços na separação e no aproveitamento de materiais, continuará existindo uma parcela residual que necessita de destinação ambientalmente adequada.
A inclusão da recuperação energética nas estratégias nacionais de redução do metano representa, portanto, uma oportunidade de fortalecer a gestão integrada de resíduos, reduzir a dependência de aterros e ampliar a contribuição do setor para a descarbonização do Brasil.
A proposta da ABREN foi destaque em reportagem publicada pela Brasil Energia, que aborda os dados apresentados pela associação, o potencial de redução de emissões e a importância de reconhecer a recuperação energética nas políticas climáticas nacionais.
Leia a reportagem completa na Brasil Energia: https://brasilenergia.com.br/energia/transicao-energetica/abren-quer-recuperacao-energetica-de-residuos-em-planos-do-mma

